Lia (Léia)
Lia era a filha mais velha de Labão, irmão de Rebeca. Foi na casa de seu pai que Jacó se refugiou ao fugir, após ter enganado seu irmão Esaú.
Labão era um homem próspero, pai de muitos filhos, servos, servas e, pelo menos, duas filhas: Lia, a mais velha, e Raquel (Gênesis 29:26). Por meio das artimanhas de seu pai, Lia tornou-se esposa de Jacó (Gênesis 29:16-23). Diferente de Raquel, que possuía grande beleza, Lia tinha uma visão fraca, descrita como "olhos meigos".
Desde o primeiro momento, Jacó se apaixonou por Raquel. Pediu-a em casamento e seu pai consentiu, com a condição de que ele trabalhasse sete anos para tê-la como esposa. O amor de Jacó por Raquel era conhecido por todos, e os anos de serviço passaram como dias para ele. Até que, finalmente, chegou o grande dia do casamento (Gênesis 29:15-35).
Mas, espere... esse estudo é sobre Raquel ou sobre Lia?
Aqui entra a história de Lia, uma vítima inocente das circunstâncias.
Na cultura da época, a noiva só podia entrar no quarto do noivo na noite de núpcias, vestida com um véu e, provavelmente, apenas quando o ambiente já estivesse em total escuridão. Imaginem a ira de Jacó ao descobrir, pela manhã, que sua esposa não era Raquel, mas Lia! Labão tentou justificar-se, alegando que, de acordo com os costumes (esse costume nupcial é bem documentado nos contratos matrimoniais da antiga Babilônia), a filha mais velha deveria se casar antes da mais nova. No entanto, fez um novo acordo: se Jacó trabalhasse mais sete anos, poderia também se casar com Raquel (Gênesis 29:26-30).
Podemos apenas imaginar a dor de Lia. Ela foi usada em um plano que não escolheu e se viu presa a um casamento onde não era desejada. A Bíblia não nos dá muitos detalhes sobre os conflitos dessa família, mas evidencia as feridas profundas que essa situação causou entre as irmãs.
Porém, Deus viu a aflição de Lia e a abençoou com filhos. Cada nome que escolheu reflete tanto sua dor quanto sua esperança no Senhor (Gênesis 29:32-35):
- Rubem ("Veja, um filho!") – "O Senhor viu minha infelicidade. Agora meu marido me amará."
- Simeão ("Audição") – "Porque o Senhor viu que sou desprezada, deu-me também este."
- Levi ("Unido") – "Agora, finalmente, meu marido se apegará a mim, porque lhe dei três filhos."
Até esse momento, cada nome revelava seu desejo de ser amada por Jacó. Mas, ao dar à luz seu quarto filho, algo mudou em seu coração. Em vez de buscar aceitação humana, ela voltou seu olhar para Deus:
- Judá ("Louvor") – "Desta vez louvarei ao Senhor."
Esse foi um divisor de águas na vida de Lia. Seu coração passou da busca por aprovação para a adoração genuína.
Lia também teve outros filhos:
- Issacar ("Recompensa")
- Zebulom ("Habitação")
- Diná, sua única filha mencionada na Bíblia (Gênesis 30:21).
Além disso, os filhos que teve por meio de sua serva Zilpa foram:
- Gade ("Sorte, fortuna")
- Aser ("Feliz")
Lia nunca foi a esposa favorita de Jacó, mas sua vida deixou um legado inestimável. De sua descendência vieram:
- Judá, ancestral do rei Davi e, posteriormente, de Jesus, o Messias (Mateus 1:1-3).
- Levi, ancestral da linhagem sacerdotal, incluindo Moisés e Arão.
É provável que Lia tenha morrido em Canaã, e sabemos que foi sepultada em Hebrom, na caverna de Macpela, ao lado de seu esposo e dos patriarcas (Gênesis 49:29-32).
Sua história nos ensina que o valor de uma mulher não está em ser amada pelos outros, mas em ser vista e acolhida por Deus. Lia começou sua caminhada ansiando pelo amor de Jacó, mas terminou sua vida sustentada pelo amor do Senhor.
Que possamos aprender com Lia a confiar em Deus, pois Ele transforma a rejeição em honra e as lágrimas em louvor.
Com amor.
*Biblia Arqueológica.
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