Rebeca

 

Rebeca: Uma Escolha de Fé e Suas Consequências

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre Rebeca, cujo nome significa "donzela cuja beleza prende os homens". Ela era filha de Betuel, sobrinho de Abraão.

Quando Isaque tinha 40 anos, seu pai, Abraão, pediu ao seu servo Eliézer que buscasse uma esposa para ele entre sua parentela, em sua terra natal (Gênesis 24:2-8/29:19-30).

É lindo ver a confiança que Eliézer teve no Senhor. Ele orou pedindo um sinal e obteve uma resposta clara de Deus (Gênesis 24:12-14). Encantado com a beleza de Rebeca e vendo que ela correspondia exatamente ao sinal que pediu ao Senhor, ele a presenteou generosamente, pois aquela jovem seria a esposa do filho de seu amo.

Quando Eliézer pediu a mão de Rebeca de forma tão enfática, ela e sua família aceitaram prontamente. Mas podemos imaginar o que se passava no coração daquela jovem. Ela provavelmente já havia ouvido falar de seus parentes distantes (Gênesis 22:20-24). No entanto, quando lhe perguntaram: "Queres ir com este homem?", Rebeca teve que tomar uma decisão que mudaria completamente sua vida. Sem saber o que a esperava, ela respondeu com firmeza e fé: "Sim, irei." (Gênesis 24:58). Estamos dispostas a responder ao chamado de Deus com essa mesma prontidão?

Podemos imaginar quantas perguntas ela fez ao servo durante a longa viagem sobre aquele que seria seu esposo. O encontro de Isaque e Rebeca é um dos romances mais belos da Bíblia (Gênesis 24:63-67). O amor entre eles era mútuo, e juntos desfrutaram das bênçãos do casamento.

O Tempo de Espera e as Escolhas de Rebeca

Passaram-se 20 anos e o casal ainda não tinha filhos. Então, Isaque orou por sua esposa, e Deus atendeu sua súplica (Gênesis 25:21). Que alegria para Rebeca ao saber pelo próprio Senhor que teria gêmeos! Mas essa bênção veio acompanhada de uma revelação: “O mais velho servirá ao mais novo” (Gênesis 25:22-26).

No entanto, dentro desse lar, um erro silencioso começou a crescer: o favoritismo. Isaque preferia Esaú, enquanto Rebeca amava Jacó de forma intensa e parcial (Gênesis 25:28). Essa divisão criou distanciamento entre o casal e influenciou suas decisões.

Isaque, repetindo o erro de seu pai Abraão, mentiu ao rei dos filisteus, dizendo que Rebeca era sua irmã (Gênesis 26:7-9). Isso nos alerta sobre como pequenos hábitos de engano podem parecer inofensivos, mas têm consequências profundas.

Rebeca, por sua vez, também recorreu à mentira. Mesmo tendo ouvido diretamente de Deus que Jacó seria o herdeiro da bênção, ela decidiu manipular a situação para garantir que a promessa se cumprisse do seu jeito. Enganou seu próprio marido, ajudando Jacó a tomar a bênção que, por direito de nascimento, pertencia a Esaú. Como resultado, provocou uma inimizade mortal entre os irmãos e nunca mais viu seu filho favorito.

 

Nos dias de hoje, quantas vezes nos encontramos tentando "ajudar" Deus, manipulando situações para que os resultados saiam conforme nosso desejo? Muitas vezes, caímos na sutileza das mentiras que a impaciência e a dúvida nos oferecem, criando soluções próprias que, no fundo, nos afastam dos planos perfeitos de Deus. Rebeca tinha uma promessa, mas, ao invés de confiar e esperar no tempo de Deus, agiu com pressa e, como resultado, gerou consequências dolorosas para si e para sua família. Em um momento de desespero e manipulação, ela chegou a pedir que a maldição caísse sobre ela, caso sua estratégia falhasse (Gênesis 27:13). Isso nos ensina que, muitas vezes, começamos bem, com fé e esperança, mas as decisões impacientes podem nos levar a um fim doloroso.

A história de Rebeca nos lembra que, apesar de nossa intenção de seguir o caminho certo, nossas ações apressadas podem nos levar a um desfecho negativo. O controle está nas mãos do Senhor, e quando tentamos interferir em Seus planos, corremos o risco de gerar dor e rupturas desnecessárias. Deus não precisa da nossa ajuda para cumprir Suas promessas—Ele é fiel e age no tempo certo. Que possamos aprender com a história de Rebeca a não ceder à tentação de controlar os acontecimentos, confiando que, ao nos rendermos à vontade do Pai, Seu plano será sempre maior e melhor que o nosso. A verdadeira pergunta que devemos nos fazer é: como seremos conhecidas no final da nossa história?


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